O Agronegócio na Baixada Fluminense e a Importância do Rio + Agro
- lemapucrio
- 19 de dez. de 2025
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No final de 2021, a Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Estado do Rio de Janeiro (FAERJ) lançou um estudo realizado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) para verificar a contribuição da agricultura na economia fluminense. De acordo com a publicação, o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio fluminense cresceu mais de 16% entre 2017 e 2020. Atualmente, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmou que o PIB do Agronegócio continuará a crescer em 2025. Esse avanço elevou a participação do setor para 4,15% da economia estadual. Ademais, dados do Insumo Agrícola informam que o agronegócio fluminense tem forte impacto no mercado de trabalho, gerando mais de 700 mil empregos diretos e indiretos, representando cerca de 15% da força de trabalho fluminense, além de exportar anualmente mais de US$ 5 bilhões em produtos agropecuários, consolidando-se como um dos principais fornecedores de alimentos para o mercado internacional.
Contudo, embora seja um setor de grande relevância, o agronegócio fluminense ainda enfrenta obstáculos, como a carência de investimentos em infraestrutura, tecnologia e inovação, além de ser necessário que o setor se adapte às mudanças climáticas e adote práticas mais sustentáveis. Outro obstáculo encontrado na Baixada Fluminense é a insegurança alimentar. O Mapa da Fome da Cidade do Rio de Janeiro revela a realidade do acesso da população carioca aos alimentos em quantidade e qualidade adequadas. Segundo o estudo, quase 2 milhões de pessoas vivem algum grau de insegurança alimentar, sendo que aproximadamente 500 mil enfrentam a forma mais extrema chegando a passar o dia inteiro sem se alimentar ou realizando apenas uma refeição por dia. Além disso, o levantamento aponta a presença ainda limitada de equipamentos públicos voltados à segurança alimentar, como cozinhas comunitárias e restaurantes populares. Os dados apresentados são fundamentais para orientar políticas públicas e fomentar o debate sobre fome e desigualdade na cidade.
A implementação de técnicas de preservação ambiental no desenvolvimento da agricultura é fundamental para garantir a sustentabilidade da produção no estado do Rio de Janeiro, especialmente em áreas sensíveis como a Mata Atlântica. Entre as principais práticas destacam-se os Sistemas Agroflorestais (SAFs), que combinam culturas agrícolas com espécies florestais, promovendo a recuperação do solo e o aumento da biodiversidade; e a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que otimiza o uso da terra ao diversificar atividades produtivas, reduzindo impactos ambientais. Por exemplo, um produtor de café pode adotar o SAF ao cultivar o grão junto a árvores nativas, promovendo sombra natural e conservação hídrica. Já na pecuária, a ILPF permite o uso rotativo do pasto com áreas reflorestadas, reduzindo a pressão sobre o solo e as emissões de carbono. Essas técnicas, quando aliadas ao uso de adubos orgânicos e práticas de agricultura de baixo carbono, como o plantio direto, representam caminhos viáveis para conciliar produção agrícola com conservação ambiental e climática.
A campanha Rio + Agro, idealizada pela Firjan, surge como uma resposta estratégica aos desafios e oportunidades do setor agropecuário fluminense, com foco no desenvolvimento sustentável, inovação e valorização do campo. Lançada com o objetivo de fortalecer o agronegócio no estado do Rio de Janeiro, a iniciativa busca integrar produtores, indústria, governo e sociedade em torno de práticas que conciliam produtividade, geração de renda e preservação ambiental. Com base nos pilares da sustentabilidade, a Rio + Agro promove ações como capacitação técnica, incentivo à inovação tecnológica, uso racional dos recursos naturais e valorização da agricultura familiar. Além disso, atua como uma plataforma de articulação entre os diferentes elos da cadeia agroindustrial, promovendo políticas públicas, atração de investimentos e a consolidação de uma imagem positiva do agronegócio fluminense, especialmente em áreas de preservação como a Mata Atlântica.
O Estado do Rio de Janeiro abriga a segunda maior região metropolitana do país em termos populacionais. No entanto, devido à sua limitada extensão territorial e à histórica carência de investimentos em tecnologia voltada ao agronegócio, sua produção agrícola não é suficiente para atender à demanda interna. Nesse contexto, a capacitação dos produtores torna-se uma medida essencial para promover o fortalecimento do setor, principalmente em projetos como o mencionado acima. No caso da Firjan, ela oferece, em parceria com outras entidades como a SENAI e o SENAR, diversos programas e cursos para a qualificação de produtores rurais, jovens em formação, e técnicos, visando a melhoria das práticas agrícolas e a preparação para o mercado de trabalho.
Portanto, diante dos desafios enfrentados pela agropecuária fluminense, como a necessidade de expansão sustentável da produção, adaptação às mudanças climáticas e conservação da Mata Atlântica, torna-se indispensável a adoção de práticas ambientalmente responsáveis. A campanha Rio + Agro, nesse cenário, cumpre um papel estratégico ao articular ações que unem inovação, capacitação e preservação ambiental, promovendo a transição do setor para modelos produtivos mais sustentáveis. Por meio da difusão de técnicas como os Sistemas Agroflorestais, a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e a agricultura de baixo carbono, a iniciativa da Firjan fortalece o agronegócio sem comprometer os recursos naturais, contribuindo para a segurança alimentar e para o equilíbrio ecológico do estado. Assim, o Rio + Agro se consolida como uma ferramenta essencial para o desenvolvimento de uma agropecuária ambientalmente consciente, socialmente justa e economicamente viável no Rio de Janeiro.
Referências Bibliográficas
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